Eu estava pensando uma coisa: como a leitura e o estudo da gramática ajudam a gente a criar. E não como uma bengala, não como algo que nos trava, mas como um jeito mesmo de facilitar a escrita, de facilitar o pensamento.
Como é que a gente organiza o que quer dizer?
No fundo, a gente não precisa deixar de falar como fala. Nem ficar com medo de falar “errado”. Isso não faz muito sentido. A gente fala de um jeito mais solto o tempo todo e o entendimento continua ali.
Por exemplo: a gente fala “o dia que eu cheguei”.
E está tudo bem. Ninguém vai dizer “não entendi”. A frase funciona, a comunicação acontece.
Só que, quando a gente vai escrever, a coisa muda um pouquinho.
Nesse caso, por exemplo, aparece uma estrutura que, na fala, a gente costuma cortar:
“o dia em que eu cheguei”.
E é aqui que entra uma coisa que eu acho muito útil: pequenas dicas mentais que a gente cria pra gente mesma.
Tipo: “será que está faltando uma preposição aqui?”
Se estiver, talvez seja um “em que”, um “de que”, um “com que”.
E isso fica ainda mais evidente quando a gente pensa em língua estrangeira.
Porque não dá pra escrever em outra língua como a gente pensa na nossa. Não dá. Sempre vai ter diferença, não só de palavra ou acento, mas de como o pensamento se organiza.
Em português, por exemplo, a gente usa “ter” pra tudo: “tenho isso”, “tenho aquilo”, “tem um problema”. Só que, no espanhol, tener é muito mais de posse. Muitas vezes, o que a frase quer dizer não é que alguém “tem”, mas que “existe”. Aí entra o haber: “hay un problema”, “hay algo”.
Então não é só trocar palavra. É outra forma de construir a ideia.
E, pra mim, é aí que entra a gramática e a leitura: não pra travar, mas pra ajudar. Pra dar essas pequenas chaves que facilitam na hora de escrever e deixam o pensamento mais claro.
